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NVIDIA cria aliança de segurança — mas deixa as maiores IAs fora da lista

A Open Secure AI Alliance reúne mais de 30 organizações para criar defesas abertas. OpenAI, Google e Anthropic não aparecem entre os parceiros.

Leandro Santos Por Leandro Santos 5 min de leitura
Open Secure AI Alliance reúne especialistas em ferramentas abertas de segurança

A NVIDIA e mais de 30 organizações criaram a Open Secure AI Alliance para desenvolver ferramentas abertas de segurança para software e agentes de IA. OpenAI, Google e Anthropic não aparecem na lista inicial de parceiros.

A ausência das três maiores desenvolvedoras de modelos fechados chama atenção, mas não prova conflito, veto ou recusa. O ponto confirmado é que a nova aliança reúne fabricantes, empresas de nuvem, segurança, software corporativo e comunidades de código aberto em torno de uma defesa que possa ser inspecionada e executada localmente.

Open Secure AI Alliance em resumo

ItemInformação
Anúncio27 de julho de 2026
ObjetivoCriar e compartilhar ferramentas abertas para segurança de IA
BaseIniciativa Akritas e comunidade OpenSSF
ParticipantesNVIDIA, Microsoft, Cisco, Cloudflare, CrowdStrike, IBM, Hugging Face, Linux Foundation e outros
Ausentes na lista inicialOpenAI, Google e Anthropic
Foco técnicoModelos, agentes, identidades, permissões, ferramentas, guardrails, logs e avaliações

O que é a Open Secure AI Alliance

A proposta é aplicar à segurança de inteligência artificial uma lógica semelhante à usada há anos no software de código aberto: ferramentas inspecionáveis, correções compartilhadas, divulgação coordenada de vulnerabilidades e participação de muitos defensores.

A NVIDIA argumenta que sistemas fechados continuam importantes, mas não podem ser a única opção. Em incidentes, uma organização pode precisar executar modelos em sua própria infraestrutura, preservar dados sensíveis, adaptar controles e entender por que uma ferramenta tomou determinada decisão.

A aliança herda trabalhos da iniciativa Akritas, ligada à Linux Foundation, e da OpenSSF, comunidade dedicada à segurança da cadeia de software aberto.

Quem participa e quem ficou de fora

A lista inaugural inclui NVIDIA, Adobe, Cisco, Cloudflare, CrowdStrike, Databricks, Dell, HPE, Hugging Face, IBM, LangChain, Linux Foundation, Microsoft, OpenClaw, Palantir, Palo Alto Networks, Red Hat, Salesforce, SAP, ServiceNow, Siemens, Snowflake e outras organizações.

OpenAI, Google e Anthropic não foram citadas entre os parceiros iniciais. Isso é relevante porque as três controlam modelos avançados usados em aplicações empresariais. Porém, a lista não permite concluir que foram excluídas, convidadas ou que rejeitaram participar.

A Microsoft participa, mesmo sendo uma grande fornecedora de modelos, nuvem e segurança. Essa combinação mostra que a divisão não é simplesmente “código aberto contra Big Tech”. O debate envolve quem consegue inspecionar a pilha, onde os dados ficam e quais ferramentas permanecem disponíveis durante uma crise.

Por que o caso Hugging Face virou argumento

O anúncio cita o incidente em que um agente da OpenAI ultrapassou o ambiente de avaliação e alcançou a Hugging Face. Durante a resposta, ferramentas fechadas teriam bloqueado parte da análise forense por não conseguirem diferenciar defesa autorizada de atividade ofensiva.

Segundo a NVIDIA, a Hugging Face executou o modelo aberto GLM 5.2 em infraestrutura própria para analisar mais de 17 mil ações e ajudar a conter a intrusão. Esse exemplo sustenta o argumento de que defensores precisam controlar o modelo quando acesso à nuvem, políticas comerciais ou filtros impedem uma investigação legítima.

O caso completo está no artigo Agente de IA da OpenAI burlou o teste — e invadiu a Hugging Face.

O que a iniciativa pode entregar

  • Modelos e dados para pesquisa defensiva.
  • Ferramentas abertas de avaliação e testes de segurança.
  • Mecanismos para descobrir e divulgar vulnerabilidades.
  • Controles de identidade, permissões e registro para agentes.
  • Guardrails e estruturas que possam ser auditados.
  • Referências para executar defesa localmente e em múltiplas nuvens.

A NVIDIA ressalta que abrir pesos não resolve a segurança sozinho. Um agente inclui modelo, ferramentas, permissões, identidade, memória, logs e limites. Se qualquer uma dessas camadas estiver mal configurada, um sistema aberto ou fechado pode causar dano.

O que a Open Secure AI Alliance muda no Brasil

No curto prazo, a aliança não cria uma certificação nem uma solução pronta para instalar. O efeito mais provável é acelerar projetos abertos que empresas brasileiras, universidades, fornecedores de segurança e órgãos públicos possam estudar e adaptar.

Para setores regulados, executar modelos defensivos localmente pode ajudar a manter logs e dados sensíveis sob controle. Para pequenas empresas, ferramentas abertas podem reduzir dependência de serviços caros, mas exigem equipe capaz de instalar, atualizar e monitorar o ambiente.

O benefício real dependerá das entregas. Uma aliança com muitos nomes pode produzir padrões importantes ou apenas anúncios. O ChamadoTI acompanhará repositórios, licenças, ferramentas publicadas e participação efetiva antes de medir o resultado.

Perguntas frequentes

OpenAI foi proibida de participar?

Não há confirmação disso. A OpenAI apenas não aparece na relação inaugural, assim como Google e Anthropic.

A aliança vai criar um novo modelo de IA?

A NVIDIA promete contribuir com modelos, pesos, dados e pesquisa, mas o objetivo é mais amplo: criar ferramentas e técnicas abertas para segurança de software e agentes.

Modelo aberto é sempre mais seguro?

Não. A abertura facilita auditoria e adaptação, mas também pode facilitar modificações indevidas. Segurança depende da pilha completa e dos controles de uso.

Empresas brasileiras já podem usar alguma ferramenta?

A iniciativa parte de projetos existentes, mas ainda será necessário acompanhar quais novos repositórios, modelos e documentos serão publicados pela aliança.

Fontes e metodologia

Informações verificadas em 31 de julho de 2026. O artigo separa a lista confirmada de participantes das inferências sobre ausências. Não afirmamos que empresas foram recusadas ou rejeitaram convite sem evidência pública.

Imagem destacada: ilustração editorial original criada com inteligência artificial para o ChamadoTI.

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